sábado, 24 de janeiro de 2009

MARK GARDENER


Novo passeio de um ex-Ride

Ele tocava guitarra e cantava numa das melhores bandas do chamado shoegazer, cena surgida na passagem dos anos 80 para o início dos 90 no Reino Unido. O quarteto Ride fez a alegria de quem gostava de barulho, melodias sussurrantes e senso pop refinado. Acabou em 1995 depois de quatro belos discos enquanto o Oasis começava seu reinado (hoje, Andy Bell, o outro guitarrista do Ride, é baixista do grupo).

MARK GARDENER ainda fez nova tentativa junto ao baterista do Ride, Laurence Colbert, com um grupo chamado Animalhouse. O mix de elementos eletrônicos com rock não chamou a atenção e Gardener foi dar um tempo viajando pela Índia e França. Foi aí que realizou apresentações acústicas, percebendo que ainda havia um público interessado em sua música.

Chamou os amigos britânicos do Goldrush e cometeu o disco These beautiful ghosts, doze faixas que remetem à atmosfera de sua ex-banda, mas com a mesma classe de antigamente. A abertura com “Snow in Mexico” mostra um primor pela melodia e pelos arranjos, com um baixo pulsante. As climáticas “To get me through” e “Magdalen sky” trazem aquelas vozes dobradas byrdianas sob clima onírico. “Rhapsody” – com piano e arranjo de cordas – seria a balada que o Oasis não consegue mais escrever.

O amálgama com o Goldrush funcionou bem nos climas crescentes de “Summer turns to fall” e na instrumental “Flaws of perception”, incluindo resquícios de música eletrônica, enquanto a faixa “Where are you now?” seria um auto-questionamento sobre a volta, por sinal, bem parecida com o ambiente do Ride em Carnival of light (1993). Apenas bem mais calmo e acústico, os belos fantasmas expressam as melancólicas canções de Mark Gardener.

www.markgardener.com

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

SNOOZE


Canções para a vida toda

Um cd conceitual, como se fosse um vinil duplo com doze faixas que se agrupam no formato de canção pop, mas de qualidade, como os Beatles, os Stones ou os Byrds fizeram um dia. Melodias leves, guitarras trabalhando riffs, dedilhados e acordes em direção ao refrão, linhas de baixo inventivas, bateria bem marcada e sem exibicionismos, este é o quarteto sergipano SNOOZE, amadurecidos do quase punk rock de mais de uma década atrás para um quase power pop classicamente ensolarado de hoje.

Mais chegado aos contemporâneos ianques como Buffalo Tom, Superdrag ou The Rooks, o terceiro trabalho da banda (ou o quarto, se contarmos a estréia ainda nos bons tempos da fita cassete) mostra o grupo afiando belos arranjos de guitarra em “Words for you”, que conta com uma gaita pontuando a canção, desfilando melodias ganchudas nas suaves, mas nem tanto, “Loser’s kiss” e “Fado”, além de distribuir baladas modernas como “Sunshine” ou “Snoozing all the time”. Isto é que eu chamo de cores diferentes que funcionam no quadro sonoro.

O apuro técnico da banda também se faz presente nos tambores de Rafael Jr., um dos mais apurados bateristas do cenário independente nordestino, e no constante trabalho de guitarras entre Clínio Júnior (hoje no Pelvs) e Marcelo Moura, uma rara alquimia muito bem resolvida. A experiência do grupo faz o clima do disco ficar bem equilibrado, trazendo também alguns instantes um tanto quanto mais experimentais, caso da instrumental “Um resfriado”, incluindo um theremin, e o barulho alicerçado na última faixa (“Stay with me , noiserockisthejazzofthefuture”).

O disco lançado em conjunto pelos selos Monstro(GO) e Solaris(RN) ainda no final de 2006 parece marcar a vida sonora do Snooze. O belo e longo encarte com as letras será o derradeiro deles?! As canções ficam para sempre, amigos sergipanos, não se preocupem.

www.snooze.com.br

domingo, 18 de janeiro de 2009

GIGANTIC




Gigantaphonic sounds (2006)


Na ativa desde 1999, a dupla australiana GIGANTIC, que conta com diversos músicos convidados, vem agitando o Estado de Victoria e arredores com seu power pop vigoroso, soando como um Big Star atualizado. Após lançarem dois Ep´s, os chefões Mark Di Renzo (vocal/baixo/guitarra) e Paul Di Renzo (bateria) cometeram seu primeiro álbum, lançado pelo selo aussie Pop Boomerang, especializado no novo cenário roqueiro do país dos cangurus e do surf.

O disco tem doze caprichadas faixas tanto na gravação quanto na inspiração. Rocks vigorosos respiram na abertura com “Some suburban road”, “Be no more”, “Coaster” e “Surf madness”, mas sem agressões auditivas. Mas o forte do grupo é arquitetar baladas melódicas e aquela canção que você fica repetindo o dia todo sem querer, com ocorre em “Steam girl”, “Baloon animals” e “Lied to”, esta última com uma introdução que vai num crescendo com uma guitarra tremolo que faz a diferença. Inventividade e melodia caminhando juntamente. “The highest comfort” ganha de qualquer faixa do último do Teenage Fanclub enquanto “Nice” desce o andamento, trazendo arranjo de cordas, piano e aquele clima de final de tarde em algum lugar agradável de se estar. “Hang on” parece uma faixa perdida dos Hoodoo Gurus ou do You Am I, seguindo uma linha que delineia o rock australiano a partir de acordes, digamos, ensolarados desde os Easybeats na década de 1960. As guitarras prezam por arranjos sem virtuose e as vozes cruzam backing vocals incisivos. Como diria a penúltima faixa, “Surf madness”, e parte de seu refrão: “I’ve got to surf / I’m ok”.

O disco termina com a nervosa “End transmission”, quase punk em sua rapidez e na voz radiofônica (à la Celibate Rifles, outro tesouro australiano), entretanto ainda sim refinada em seus timbres e riffs nervosos, altamente rock. Boas idéias não são para todos. Só para pequenos gigantes,e alguns deles vivem na Austrália. Por que essa ilha-continente tinha que ser tão longe do Brasil?!

www.gigantic.com.au