The house of love (1988)
O nome do grupo foi retirado de uma das obras “erótico-pornográficas” de Anais Nin. Vindos do sul de Londres, mas com um vocalista, guitarrista e compositor alemão, Guy Chadwick, o grupo lançou ainda em 1987 um compacto chamado “Christine” pelo selo inglês Creation, aquele que lançou Oasis e Jesus & Mary Chain. Pronto. O Reino Unido aos seus pés, embora muitas das canções da banda fossem da época do The Kingdom, banda anterior de Chadwick. No ano seguinte, o LP de estréia. Essencial.
Na abertura perfeita, “Christine”, hino oficial da banda. Canção de talhe clássico, climática, angustiante com os riffs e feedback agudos do guitarrista Terry Bickers, porém sem aquela tempestade sônica. Refrão marcante, melodia idem, um (a)típico exemplar de música pop atemporal. Já a seguinte, “Hope”, vem mais calma, cheia de dedilhados e versos no máximo de sotaque alemão de Chadwick, uma beleza. A próxima é “Road”, exalando um aroma psicodélico com riff mântrico de guitarra que se une ao baixo agudo de Groothuizen, tudo isso enquanto a voz grave do alemão segue quase explodindo como se fosse um Lou Reed mais entediado ainda, sem esquecer dos yeah-yeah-yeahs ao final. “Sulphur” parece um mix de Velvet com Stones, com microfonias no refrão e retorno à calmaria. Tempestade de ácido sulfúrico. Em “Man to child”, o andamento desacelera e os vocais sussurrantes tomam conta desta quase balada, com a letra versando perguntas seriamente irônicas a Jesus (“Where is the money?”), a Deus (“What am I doing?”) e Maria (“Where is the love?”).
O lado B – sim, o LP saiu no Brasil em tiragem limitadíssima de 500 cópias em 1989 pela Stilleto – vem nervoso com “Salome” e sua personagem feminina vista sob desejo vingativo (“I love the way she cries”) que mais parece uma prece. Efeitos flutuantes avisam que a etérea “Love in a car” emerge com uma bateria minimalista, cortesia de Pete Evans, causando um efeito Velvet total. Já “Happy” anuncia riffs apocalípticos e versos paradoxais (“I’ve lost my point of viem / but I’m happy to be with you”) em mais uma canção que implode e explode ao mesmo tempo, com Chadwick terminando por dizer “It’s not love”. A penúltima, “Fisherman’s tale”, abre com vocal quase gospel e pedidos oceânicos (“take me to the sea [...] I’d wish I sail away”) ao mesmo tempo em que a banda ergue tensão e alívio nos acordes de alta octanagem psicodélico-garageira. A despedida é “Touch me”, transparecendo as atmosferas sombrias velvetianas. Bateria mínima, acordes angustiantes, vozes inabaláveis (o título é repetido treze vezes, desesperado), microfonias, até terminar suave, o oposto do início do álbum.
The House of Love acabou em 1994, com Chadwick seguindo em instável carreira solo. A banda voltou a se reunir com a formação original em 2004, lançando o agradável Days run away.


