A vida é um mistério (2008)
Falar de uma de suas bandas prediletas pode parecer tarefa fácil, todavia nem sempre dá para tratar de um álbum novo sem ser tornar redundante, uma vez que a trajetória do hoje quarteto paulistano já foi dissecada aqui neste fanzine várias vezes. Mas como a vida sempre guarda presentes misteriosos, tentemos traçar o impossível...
Este é o segundo cd da banda, fora três EP’s, e algumas coletâneas Brasil afora. Lançado de novo pela inquieta Monstro Discos, o maior selo independente brasileiro na atualidade, as doze composições contidas nele fazem emergir as mesmas qualidades da banda: pop sessentista revisitado, dedilhados de guitarras de doze cordas e vocal sussurrado, meio psicodélico meio folk meio rock meio pop (os refrões são evidentes).
Há espaço para vinhetas (“Chegada” e “Partida”) que trazem um lado tipicamente folk do grupo e também espaço para faixas 100% instrumentais, incluindo a enigmática “Caravan”, talvez a melhor do disco, ao lado da radiante “Esboços de abril”, com seus pa-pa-pas dando um retoque pop-psicodélico, uma mistura de Kinks, Syd Barrett e as Shangri-Las. É nesta canção que se percebe a junção do belo e simples trabalho de guitarras da banda, que agora conta também com a presença do exímio Carlos Nishimiya (também do Surfadelica), o mais recente participante ativo do combo.
A onírica “Aretha, Aretha”, uma singela homenagem ao cão mascote da banda (“Pensando em comer o arco-íris / que vê da janela / abanando a calda para decolar”) aparece em versão rock, já que havia sido registrada no álbum solo de Sandro Garcia – o mentor mor das canções do combo continental. Em “Retiro”, fica evidente o eficiente trabalho de baixo e bateria a cargo dos onipresentes Carlos Rodrigues e Rogério Meni. A tensa “Aquecimento global” manda um recado para os quatro continentes.
Outra novidade é que, da meia dúzia de faixas que integram o disco, metade delas é instrumental, apontando uma nova direção para a banda. Mais recentemente, o Continental Combo lançou dois discos virtuais, que podem ser conseguidos acessando o site da banda. Uma das gravações traz canções inéditas e versões diferentes de faixas do recente cd enquanto o outro apresenta os paulistanos tocando dez composições dos Byrds, influência declarada do grupo. É isso, o combo nunca pára. Ainda bem, os ouvidos de um fã distante agradecem.
www.continentalcombo.com


