Banda: The Pixies
Álbum : Surfer rosa (1988)
Origem : Boston, USA
Segundo Black Francis, hoje Frank Black (e não é aquele da série Millenium!), este álbum de lavas incandescentes tinha como título “Whore”. A gravadora 4AD achou um tanto “imprópio” e acabou ficando “Surfer Rosa”, pois o maluco líder dos Pixies arrumou uma mulher que fosse surfista e que topasse também posar nua da cintura pra cima na capa. Se o nome é Rosa e se a história é verídica, isso já não importa…
Lançado em março de 1988, os Bostonianos Charles Michael Kitridge Thompson, vulgo Black Francis (voz/guitarra) e David Lovering (bateria) mais a menina baixista/vocalista de Ohio Mrs. John Murphy, futura Kim Deal e deusa do rock alternativo – isso existe? – e o guitarrista filipino Joey Santiago conseguiram aglutinar em 13 faixas, verdadeiras hecatombes sônicas e absurdamente permeadas por um punch igualmente fascinado por melodia e barulho que talvez jamais sejam equiparados, talvez devido a sua própria explosão sonora única e idiossincrática visceralidade, talvez pelo próprio tempo, que talvez poderá dizer alguma coisa. Talvez….
Anti-produzido(!) pelo mestre do noise Steve Albini – hoje em dia, ele diz não achar nada demais neste trabalho - , gravado em duas semanas e com todas as vozes postas em uma única noite, o disco abre com a galopante “Bone Machine”, cortantes riffs de guitarras, a linha de baixo mais fácil do mundo e vocais contrapostos de Francis (gritando) e Kim (falando). Dá vontade de sair quebrando tudo pela frente e cantar ao mesmo tempo. A sadomasoquista “Break My Body” mantém o pique com seu épico refrão “Break my body, hold my bones”. Na terceira “Something Against You”, a paulada aparece de vez, num elo perdido entre trash e hardcore. 1´45´´ de berros indecifráveis e velocidade destruidora. Na seqüência, mais um exemplar de colapso corporal chamado “Broken Face” e uma sombra de Stooges e MC5. Depois emerge a agridoce “Gigantic”, com milady Kim Deal e sua voz angelical nos levando para mais um refrão explosivo e riffs mântricos. Termina o lado A, “River Euphrates” e sua melodia de girl group + Nirvana (quando este ainda nem existia!).
“Where Is My Mind” surge indescritível em seu violão quase folk, guitarras pixeanas e letra surreal. Clássico absoluto de todos os tempos, sem comentários. “Cactus” vem quieta e logo se inquieta. Pixies puro. Kim anuncia e começa “Tony´s Theme”. De acordo com Francis, as canções do Pixies podiam “tanto intoxicar quanto pulverizar”, esta faz os dois, assim como “Oh My Golly!”, com letra nonsense em espanhol (está na capa). Em seguida, aparece Francis falando (palavrões) com alguém num diálogo invisível não creditado no disco. “Vamos” intensifica o encontro bilíngüe inglês/espanhol (estrofe/refrão) entre riffs mais sujos ainda, microfonias e bateria cavalar. Mais guitarras ensurdecedoras se prontificam em “I´m Amazed” e desembocam na última faixa, a quase educada “Brick is Red”, que já prenunciava os lançamentos posteriores da banda.
Desleixadamente bem gravado como uma espécie de garage sound intocável, “Surfer Rosa” não é um álbum fácil, e nem deveria. Seu organismo pulsante é a prova viva de uma sonoridade que vicia os ouvidos e que, a cada dia que passa, permanece inviolável por sua inclassificável beleza sônica.
Tags: barulhoscopio, pixies, surfer rosa


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